HAI KAI (Paulo Leminski)

O ideograma de kawa, "rio", em japonês, pictograma de um fluxo de água corrente, sempre me pareceu representar (na vertical) o esquema do haikai, o sangue dos três versos escorrendo na parede da página..
HAI

       Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
       o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me,
       ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
       eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.

KAI

       Mínimo templo
para um deus pequeno,
       aqui vos guarda,
em vez da dor que peno,
       meu extremo anjo de vanguarda.

       De que máscara
se gaba sua lástima,
       de que vaga
se vangloria sua história,
       saiba quem saiba.

       A mim me basta
a sombra que se deixa,
       o corpo que se afasta.

[do livro Distraídos Venceremos]

7 comentários:

  1. Quando começa um poeta?
    Com a primeira palavra
    escrita
    arredia
    a revelia
    da convencão

    Querem mais? (Quanta pretensão...)

    "No chão"

    com você no chão
    olho pro céu
    e tenho uma contração

    calor de vulcão
    atira pra longe, a camisa
    e a convenção

    o longe fica perto
    fora fica dentro
    teu cheiro, na minha mão

    ResponderExcluir
  2. eu queria poemas sobre o haikai

    ResponderExcluir
  3. haikai é irado de mais

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É um poema genial, mas não é hai kai.

      Excluir

Ocorreu um erro neste gadget
Este é apenas um acervo de poemas de Leminski encontradas na internet, com objetivo de divulgar a obra poética deste maravilhoso poeta. Compre os livros!

Veja mais poemas!